Em Pernambuco, Renan Santos defende incentivos do governo às vaquejadas
Candidato do Missão acredita que atividade cultural pode contribuir para o crescimento econômico; em março, STF validou as normas que regulamentam a atividade
Por : Paulo Leite
BRASÍLIA - O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, defendeu a criação de mecanismos de incentivo às vaquejadas. A declaração foi dada nesta quinta-feira (20/8) em agenda no município de Feira Nova, em Pernambuco.
Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou as normas que regulamentam a prática no país, desde que sejam adotados mecanismos de proteção aos animais. Algumas entidades de defesa dos animais questionam a aplicação de ações de bem-estar aos bichos por organizadores de vaquejadas.
A competição, que é bastante popular na região Nordeste, consiste na perseguição de um boi em uma pista por dois vaqueiros montados a cavalo. O objetivo final é a derrubada do boi pelo rabo em áreas demarcadas no chão.
Para Renan, a atividade enfrenta preconceitos, e disse que a vaquejada pode contribuir para o crescimento da economia. “É uma cultura que pode representar bilhões em faturamento, tal qual a cultura do rodeio, mas que não consegue se profissionalizar”, defendeu.
Apesar de defender a adoção de regras que garantam o bem-estar dos animais, Renan Santos disse que isso não pode levar ao fim da tradição. “O cavalo é bem tratado, o boi é bem cuidado, regras podem ser estabelecidas para que isso funcione da melhor maneira possível. O que a gente não pode permitir é que essa cultura seja destruída”, argumentou.
Em 2017, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade no STF em que questionava a condição de patrimônio cultural imaterial das vaquejadas. Os procuradores da República alegaram que a Constituição Federal garante a todos os brasileiros o direito a um meio ambiente equilibrado e que o poder público tem o dever de “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”.
Em resposta, a maioria dos ministros da Corte sustentou que a atual legislação já é capaz de garantir o bem-estar animal e que estas normas devem ser observadas, sem gerar prejuízos a outras medidas que possam vir a ser adotadas pelos organizadores das vaquejadas com esse objetivo.
“Meu governo vai defender a cultura da vaquejada, vai defender a cultura do sertão, porque entende que isso aqui é parte do desenvolvimento do Nordeste e da própria autoestima do Nordeste e dos sertões que nós temos pelo Brasil”, disse Renan.


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