Ataques em escolas motivam novos casos e deixam autoridades em alerta em MG
Conforme a Polícia Militar de Minas Gerais, aumentam os casos de ameaças em escolas mineiras a cada novo episódio de violência no país
Por José Vitor e Rayllan Oliveira Publicado em 5 de abril de 2023 | 15h19 - Atualizado em 5 de abril de 2023 | 18h41
O ataque a uma creche que vitimou três meninos e uma menina, com idades entre 5 e 7 anos, em Blumenau, no Estado de Santa Catarina, e deixou outras quatro crianças feridas, sendo duas em estado grave, coloca em alerta as autoridades de segurança e de educação em Minas Gerais. Isso porque a cada novo episódio de violência em unidades de ensino do país, os casos se intensificam nas escolas mineiras. Uma situação que torna um espaço desenvolvido para potencializar habilidades físicas, cognitivas e afetivas de crianças e adolescentes em um reduto do medo, em todo o Estado.
"O que acontece em Minas é uma espécie de espelhamento desses atos. Há um aumento sempre que ocorrem esses casos de violência e de ameaças em outros estados. Felizmente, se é que podemos dizer assim, são ameaças, o ato, em si, não chega a ser concretizado", relata a porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, a major Layla Brunella. Conforme a representante da instituição, essas ameaças, em sua maioria, ocorrem como forma de externar algum problema vivenciado pelos autores. "É uma maneira que encontram de chamar a atenção, seja por alguma questão social, algum problema na família ou na escola", completa.
Na última segunda-feira (3), a polícia foi mobilizada após uma série de denúncias de ameaças na Escola Estadual Dona Eleonora Nunes Pereira, na região Central de Minas Gerais. Os estudantes tiveram que deixar as salas de aula e se reuniram no pátio da unidade de ensino, enquanto os militares faziam a vistoria das dependências da escola. As ameaças haviam sido feitas em uma rede social, e uma adolescente de 11 anos é investigada suspeita de ser a autora das mensagens.
"Eu estava trabalhando quando recebi um áudio da minha filha dizendo que estava no pátio da escola porque a polícia estava investigando uma ameaça de invasão. Como mãe, é uma insegurança terrível. Você fica sem saber o que faz, se considera aquela ameaça como uma brincadeira ou se existe a possibilidade real de uma invasão", lembra Elenice Prado, de 50 anos, que é responsável por uma estudante da escola e que atua como professora do ensino fundamental em unidades da rede municipal de Itabira.
Para Elenice, o episódio ocorrido na escola de sua filha é reflexo de uma mudança de comportamento dos alunos que, segundo ela, estão mais confiantes na agressividade. "A gente, enquanto professores, lidava com isso antigamente. Só que a gente repreendia e eles paravam, hoje parece que perderam o limite", relata a profissional que atua no ofício a cerca de 22 anos, junto a alunos do primeiro ao quinto ano, que possuem até onze anos.


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