Cruzeiro encontra reação que precisava, mas triunfo sobre o Vitória não encerra cobranças
Equipe respondeu à adversidade e dá um respiro para poder reconstruir a confiança no trabalho
Por Gabriel Moraes
O triunfo por 3 a 1 sobre o Vitória, neste domingo (20/9), no Barradão, tem um peso que vai além dos três pontos para o Cruzeiro. Em um momento de cobrança crescente e depois de eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, a Raposa precisava de uma resposta no Campeonato Brasileiro – e encontrou, ainda que em um jogo de dois tempos bastante distintos. O time saiu atrás, foi dominado em boa parte da etapa inicial, mas reagiu de maneira contundente depois do intervalo e construiu a virada com gols de Keny Arroyo, Lucas Villalba e Matheus Pereira.
O resultado mantém o clube na 6ª colocação, agora com 45 pontos, e evita a perda de contato com os clubes que estão à frente na disputa pelas vagas no torneio continental de 2027. Apesar de continuar fora da faixa que interessa ao time, o cenário da tabela ainda permite mirar em uma aproximação nas rodadas seguintes.
Mais importante, porém, é a maneira como o Cruzeiro respondeu à adversidade. O primeiro tempo foi preocupante. O time celeste mostrou pouca capacidade para controlar o jogo e terminou os primeiros 45 minutos sob pressão e perdendo. A mudança veio no intervalo, quando Artur Jorge alterou a equipe. O empate apareceu praticamente no primeiro minuto da etapa final, com Arroyo, e a partir daí assumiu outra postura.
A reação é relevante porque o problema da Raposa nas últimas semanas não estava apenas nos resultados, mas também no desempenho. O próprio técnico reconheceu, após a partida, que a equipe atravessa uma fase de instabilidade, embora tenha destacado a importância da reação no Barradão e colocado a busca pela vaga na Libertadores como objetivo para o restante da temporada.
As eliminações nos mata-matas aumentaram a insatisfação da torcida, sobretudo porque a equipe passou a ter no Brasileiro o principal caminho para transformar uma temporada que perdeu força nas copas em uma campanha de classificação continental.
A cobrança, inclusive, foi reconhecida pelos próprios jogadores. Depois da vitória, o zagueiro Jonathan Jesus afirmou que a torcida tem direito de cobrar e admitiu que o elenco também fica incomodado quando não consegue apresentar um bom futebol. A declaração ajuda a dimensionar o ambiente: vencer é importante, mas, para o torcedor, o desempenho passou a ser tão relevante quanto o resultado.
É justamente aí que a vitória no Barradão precisa ser interpretada com alguma cautela. O placar de 3 a 1 é expressivo e a virada demonstra capacidade de reação, mas não apaga os problemas apresentados no primeiro tempo. O Cruzeiro voltou a mostrar que tem recursos individuais e competitivos para buscar resultados mesmo quando a partida se complica, mas ainda precisa transformar essa capacidade de reação em uma atuação mais regular durante os 90 minutos.
O gol de Matheus Pereira, já nos acréscimos, simboliza outro aspecto importante: depois de virar, o Cruzeiro conseguiu administrar a vantagem e encontrou espaço para matar o jogo em um contra-ataque. Arroyo conduziu a jogada e serviu o camisa 10, que definiu o placar. É o tipo de lance que dá confiança a uma equipe que precisa recuperar estabilidade e, principalmente, pontuar com frequência na reta final do campeonato.
O Cruzeiro, portanto, deixa Salvador com uma vitória que alivia a pressão, mas não encerra a discussão sobre o momento da equipe. Os 45 pontos mantêm a Raposa viva na briga pelas posições que levam à Libertadores de 2027 e evitam um afastamento maior dos adversários diretos. Ao mesmo tempo, a atuação reforça a necessidade de evolução. A equipe mostrou no segundo tempo que consegue competir em alto nível; agora, precisa fazer isso com mais constância.
Depois das eliminações nas copas, a Série A deixou de ser apenas mais uma frente de disputa e passou a concentrar as expectativas do clube para o fim de 2026. O triunfo no Barradão representa, nesse sentido, um respiro e uma oportunidade de reconstruir confiança.
A pressão, porém, continuará: a torcida do Cruzeiro não cobra apenas a presença na próxima Libertadores, mas sinais de que o time pode terminar a temporada jogando de maneira compatível com a ambição que o clube estabeleceu.


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