Minas fica acima da média nacional, mas aprendizagem cai ao longo da vida escolar

Estado alcança 74?alfabetização no 2º ano, mas percentual de estudantes com aprendizagem adequada chega a 14,4% em matemática no ensino médio

Minas fica acima da média nacional, mas aprendizagem cai ao longo da vida escolar
Indicadores de Minas Gerais superam média nacional Foto: alexandre c. motta - 12.3.2004

PorRenata Abritta

Minas Gerais encerrou 2025 com indicadores educacionais acima da média nacional e resultados melhores do que os registrados pelo Estado em anos anteriores. Ao mesmo tempo, os dados mostram que o desempenho não se mantém no mesmo nível ao longo da trajetória escolar.

Se nos anos iniciais mais da metade dos estudantes alcança a aprendizagem considerada adequada em português e matemática, no ensino médio esse percentual cai para menos da metade em língua portuguesa e para 14,4% em matemática.

Os dados integram o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, do Todos Pela Educação, divulgado nesta terça-feira (22), e têm como base, entre outras fontes, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025. O Saeb é uma avaliação nacional que mede o desempenho dos estudantes em diferentes etapas da educação básica.

O indicador mais conhecido que combina parte desses resultados é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que considera o desempenho em português e matemática e as taxas de aprovação. Em Minas, o índice chegou a 6,6 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,5 nos anos finais e 4,6 no ensino médio em 2025. Os três resultados ficaram acima das respectivas médias nacionais.

Alfabetização

Na primeira etapa da trajetória escolar, Minas apresenta um dos principais resultados positivos. Em 2025, 74% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental na rede pública. O percentual ficou acima dos 66% registrados no país e também superou a meta mineira para o ano, de 66%.O resultado também mantém uma trajetória de crescimento. O índice era de 43% em 2021, passou para 60% em 2023, chegou a 72,1% em 2024 e alcançou 74% em 2025.

A alfabetização, porém, é apenas o começo da trajetória. Os dados do Saeb mostram que a proporção de estudantes que alcançam o nível considerado adequado varia bastante conforme a etapa e a disciplina.

Dificuldade em matemática

Nos anos iniciais do ensino fundamental, 68,1% dos estudantes mineiros alcançaram aprendizagem adequada em língua portuguesa e 59,9% em matemática. Na outra ponta, 8,2% estavam abaixo do nível básico em português e 11,8% em matemática.

Nos anos finais, a proporção de aprendizagem adequada cai para 48,7% em língua portuguesa e 27,6% em matemática. Já os percentuais de estudantes abaixo do nível básico são de 10,9% e 21%, respectivamente.

A diferença fica ainda maior no ensino médio. Apenas 43,3% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em língua portuguesa e 14,4% em matemática. Quase metade dos alunos, 49,1%, está abaixo do nível básico em matemática. Em português, esse percentual é de 23,7%.

O Anuário define a aprendizagem adequada a partir das habilidades esperadas para cada etapa. No ensino médio, por exemplo, o estudante classificado nesse nível em língua portuguesa é capaz de interpretar textos complexos, identificar teses e argumentos e diferenciar fatos de opiniões. Em matemática, deve conseguir resolver problemas que envolvam, entre outros conteúdos, porcentagens, equações, funções, áreas, volumes e relações geométricas e trigonométricas.

Na faixa abaixo do básico, a situação é diferente. Em matemática, por exemplo, o estudante do ensino médio ainda apresenta dificuldades para resolver problemas que envolvam operações fundamentais, proporcionalidade, funções e plano cartesiano.

O que os números mostram

O retrato de Minas, portanto, tem duas faces. De um lado, o Estado registra resultados positivos nos indicadores gerais e supera a média brasileira. De outro, os dados de aprendizagem revelam uma redução expressiva da parcela de estudantes que domina as habilidades esperadas à medida que eles avançam pela educação básica.

É nesse ponto que os dados levantam uma questão que vai além das médias: depois que a escola abre as portas, o que acontece com os estudantes em sala de aula?

A pergunta é feita por Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação. Segundo ela, “a resposta é complexa e passa por diversos caminhos. Entre eles, a alfabetização na idade certa, a capacidade de ler e interpretar um texto e de resolver problemas, a permanência até o final do Ensino Médio e a preparação para um mundo em transformação acelerada. Essa resposta também passa pela formação de professores, pela redução das desigualdades e pela gestão adequada do investimento público”, analisa.