PBH é alvo de operação da PF que apura suspeita de fraude em contratos da Educação
PF apura a atuação de uma organização criminosa que teria atuado em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação
Por Clara Mariz
A Prefeitura de Belo Horizonte foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura a atuação de uma organização criminosa que teria atuado em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação. A ofensiva aconteceu na manhã desta quinta-feira (17/9). Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão.
De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é que o grupo tenha direcionado procedimentos para o fornecimento de serviços e materiais didáticos usados na educação pública da capital mineira. As contratações teriam sido feitas entre os anos de 2024 e 2025.
As ordens judiciais foram cumpridas em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Entre os procedimentos analisados pela 10ª fase da Operação Overclean, ao menos três resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões.
Conforme a corporação, os fatos apurados podem caracterizar crimes contra a administração pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A reportagem procurou a Prefeitura de BH, mas até a publicação desta matéria não houve resposta.
Operação resultou em exoneração de secretário
Em abril de 2025, o ex-secretário de Educação de BH, Bruno Barral, foi alvo da terceira fase da Operação Overclean. Na época, ele chegou a ser afastado do cargo por ordem do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a Polícia Federal, Barral estaria ligado ao esquema que desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares e convênios.
Barral, que já foi secretário de Educação de Salvador, é dono de uma empresa ré na Justiça da Bahia por dano ao erário de Santo Antônio de Jesus (BA), a 187 quilômetros de Salvador. O Ministério Público da Bahia (MPBA) apontou improbidade administrativa em um contrato de R$ 300 mil, sem licitação, firmado entre o empreendimento e a Prefeitura de Santo Antônio de Jesus para serviços de assessoria e consultoria técnica na área educacional ainda em 2021.
O contrato entre a Bruno Oitaven Barral Ltda. e Santo Antônio de Jesus está suspenso liminarmente desde fevereiro de 2023 pela Justiça. O juiz Carlos Roberto Silva Júnior ainda determinou a paralisação dos pagamentos da prefeitura à empresa, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, “até a solução final do litígio”.


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